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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PROPOSTA DE REDAÇÃO: DISSERTAÇÃO



O que você acha do novo Acordo Ortográfico?

Está em vigor o Acordo Ortográfico que unifica a escrita em todos os países que falam português. Ainda causador de dúvidas e polêmicas, o Acordo mudou a grafia de apenas 0,5% das palavras escritas no Brasil. Para muitas pessoas, esse assunto é indiferente. Mas quem usa obrigatoriamente a ortografia oficial, como professores, jornalistas, redatores, editores, escritores e estudantes, tem muito o que decorar. "Esse Acordo só interessa ao Brasil", já gritaram certos portugueses. "É útil e facilitará o intercâmbio cultural entre países lusófonos", retrucam especialistas. O fato é que até 2012, o país precisa se adequar às novas regras. O que você acha desse Acordo?
Elabore uma dissertação considerando as ideias a seguir:

Bom para a unidade e prestígio dos países?

"Para [Evanildo] Bechara, a reforma ortográfica é necessária para defender a língua portuguesa. Trata-se do único idioma falado por um grupo majoritário - mais de 230 milhões de pessoas - no mundo a ter duas grafias diferentes. É essencial que o português se apresente com uma única vestimenta gráfica. Para manter o prestígio e para que seja mais bem ensinado e compreendido por todos".

[Sylvia Colombo. Folha de S. Paulo. Ilustrada, 29/12/08.]

Somos 230 milhões no mundo


[Veja, Especial, idioma p. 193. São Paulo: Abril. Ed. 2093. Ano 41, nº 52: 31/12/08.]


O (des)acordo ortográfico

"Nesta Folha e em outros veículos, já expressei claramente minha oposição a esse estéril e inoportuno Acordo, cujo custo supera o suposto benefício. Respeito profundamente a posição (...) de homens da estatura e dignidade do lexicógrafo Mauro Villar, [...] e do professor Evanildo Bechara, mas, do baixo da minha insignificância, ouso perguntar: não teria sido melhor esperar que tudo estivesse realmente pronto para "cortar a fita do Acordo?"

[Pasquale Cipro Neto. Folha de S. Paulo. Cotidiano, 1/1/09.]

Um Acordo e várias vozes

•"Buemba!Buemba! [...] Novidades da reforma, ops, do puxadinho ortográfico. Tem um botequim no Rio que tá vendendo lingüiça com trema e linguiça sem trema. Com molho e sem molho! Rárará!"

[José Simão. Folha de S. Paulo. Ilustrada, p. E9. 13/1/09].


•"Pára tudo, tivemos uma idéia ótima. Quer dizer... Para tudo, tivemos uma ideia ótima. Estranho, não? (...) Nós continuaremos a gritar: PARA TUDO! Mas olha como é ruim gritar isso sem acento! O acento confere drama, pressa, desespero. E não, não deixaremos de ser desesperadas nem dramáticas (...).. Mas teremos de escrever desse jeito, porque é o que manda a reforma ortográfica que começa a funcionar (...).

[Jô Hallack, Nina Lemos, Raq Affonso. (02 Neurônios) Folha de S. Paulo. Folhateen, 6/10/08.]

•[...] Vou sentir falta da velha ortografia, uma falta nada nostálgica, mas visual. "O voo, sem o circunflexo, parece que ficou mais raso e pesado.(...). E o que dizer da nova 'ideia'? Sem o acento agudo tornou-se grave, fechada (...). E os tremas, esses dois pontinhos suspensos, olhinhos fixos que davam tanta graça e elegância à letra 'u'?

[Milton Hatoum. O Estado de S. Paulo. Caderno 2, 9/1/09]

•[...] O atroz dilema do hífen (co-abitar ou coabitar?), o degredo do acento agudo de palavras como jiboia e averigue e a horrível morte de certos circunflexos estão levando gramáticos às fuças.(...). Sem o chapeuzinho, por exemplo, como conjugar verbos como coar e moer? Eu coo, eu moo? (...) Enquanto isso, os dois inocentes pontinhos sobre linguiça, quinquênio, pinguim etc foram varridos pelos linguístas sem a menor contemplação...

[Ruy Castro. Folha de S. Paulo, Opinião. 10/1/08.]

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PROPOSTA DE REDAÇÃO: DISSERTAÇÃO


"Selinho" é inocente ou tem significado sexual?

No mês de setembro de 2009, foi preso em Fortaleza um turista italiano, por ter dado um beijo nos lábios da filha de 8 anos. Esse "caso de polícia" fez com que se discutisse a atitude cultural do "selinho" que, para muitas pessoas, tem forte conotação sexual, principalmente entre pais e filhos. Segundo a esposa brasileira, indignada com a prisão do marido, essa é apenas uma forma inocente que se usa na família deles para demonstrar afeto. De fato, até amigos trocam um "selinho", de vez em quando. A questão é: a moda do selinho é inocente? Ou ele deve ser evitado, pois tem apelo sexual? O que você acha?

O "selinho" em risco

"O 'selinho' está na boca (fechada) da galera. A modalidade de beijo em que lábios se tocam de leve, se praticada entre pais e filhos, pode ocupar lugar no banco dos réus. Igor Bahia, 17, já foi acusado [...] de delito parecido com o do italiano [de Recife]. [Beijava] a mãe na rua quando algumas pessoas sugeriram, maldosamente, que não eram parentes. Ele é negro. Ela, branca. Ygor diz que prefere deixar o episódio 'para trás'. Mas que não desistiu de mostrar amor como aprendeu em casa, com 'selinhos' e chamegos."

[Folhateen. 14/09/2009]


Selinho, sim, mas só para poucos

"[...] Hebe Camargo, toda animada, pediu a Silvio Santos um 'selinho' (beijinho). Não ganhou: 'Nem selinho, nem selo, nem selão', ouviu dele, categórico. Em seguida, Gilberto Gil entrou no palco, de mão estendida para cumprimentá-lo. O que fez o apresentador? Disse 'selinho', esticou os lábios e zás - tascou um beijinho na boca do músico. A cena foi ao ar de madrugada [do programa de novembro], no encerramento do Teleton, a maratona beneficente exibida pelo SBT. Gil ficou surpreso, Hebe fingiu brabeza e Silvio riu muito. 'Tirei uma onda, foi só uma bicotinha', diz ele. "Tudo tem uma primeira vez'."

[Revista Veja, n. 1.725, 7 de novembro de 2001]

Entre pais e filhos pode ser ambíguo ou perigoso

"A psicóloga da USP Leila Tardivo aconselha a evitar contato físico ou visual que possa ser mal-interpretado pelos filhos. 'Confundir amor com sexo é um risco, ainda mais na idade em que os desejos crescem. Pais não devem falar de sua vida sexual, nem expô-la. Pai que quer ser só amigo dos filhos faz, na realidade, [com] que esses jovens fiquem 'orfãos' [...]."
" 'Precisaríamos de uma bola de cristal para saber se a intenção de um selinho é sexual ou não' - diz o desembargador da Infância e da Juventude Antônio Malheiros, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Malheiros admite que beijos, carinho paterno e hábitos como andar nu em casa são [uma] 'zona cinzenta' para o direito."

[Folhateen, 14/09/2009]

Selinhos e agressão

Dois homens, um de 30 anos e outro de 19, que se cumprimentaram com um beijo tipo "selinho", foram agredidos no Rio de Janeiro. A violência aconteceu em março deste ano, de madrugada, na escadaria de Santa Teresa, na Lapa. As vítimas contaram que, após o cumprimento, um grupo de dez pessoas os ameaçou e um deles levou "socos e chutes". Eles alegam também que a Polícia Militar negou socorro. Militante da ONG Arco-Íris e superintendente estadual de direitos individuais, coletivos e difusos, Cláudio Nascimento notificou a Secretaria da Segurança Pública, a Ouvidoria da PM e o comando do 13º BPM (centro), responsável pela área, pedindo providências.

Observações:

•Seu texto deve ser escrito em língua portuguesa;
•Não deve estar redigido em forma de poema (versos) ou narração;
•A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
•Não deixe de dar um título a sua redação.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

PROPOSTA DE REDAÇÃO: DISSERTAÇÃO


TEMA: Mentira é doença, problema moral, necessidade ou brincadeira?

Em fevereiro de 2009, o mundo ficou espantado com a violência sofrida por uma advogada brasileira em Dübendorf, cidade da Suíça. Ela teria sido agredida e muito machucada por neonazistas, num ataque brutal de xenofobia (desconfiança, temor ou antipatia por estrangeiros). A jovem advogada teria, inclusive, sofrido um aborto de gêmeos, sendo encaminhada para o hospital em estado de choque. Até o presidente Lula declarou publicamente seu horror diante do acontecido. Poucos dias depois, contudo, o mundo inteiro se revoltou, ao descobrir que tudo era uma grande inverdade. Todos nós, certamente, conhecemos vários mentirosos. Por que eles existem? O que é, afinal, a mentira: doença, problema moral, necessidade irresistível, brincadeira? Ou o ato de mentir é provocado por todas essas razões?

Prenda-me se for capaz

Nem sempre a mentira tem perna curta. O filme de Steven Spielberg conta a história real de um mestre do disfarce, Frank Abagnale Jr. (personificado por Leonardo Di Caprio).
Ele fez carreira, aproveitando suas habilidades de grande mentiroso. Mudou várias vezes de identidade e viveu a vida como quis, aplicando golpes milionários, até ser apanhado pela polícia.
O impostor, o estelionatário, muitas vezes, é uma figura sedutora, mas isso não diminui a gravidade de seu crime.

Primeiro de abril!

"O hábito de brincar com essa data é universal. A origem das brincadeiras nesse dia é desconhecida, mas dizem que tudo começou no século 16, com a mudança para o calendário gregoriano, que trocou a comemoração do Ano Novo para 1º de janeiro (antes a data era móvel, variando de 25 de março a 1º de abril). Quem continuava comemorando na antiga data era chamado de "bobo de abril". Na Inglaterra, quem "cai em 1º de abril" é chamado de noodle (pateta). Na França, de poisson d'avril (peixe de abril); nos Estados Unidos, de april fool (bobo de abril)."

[IBGE Teen]

O mitômano ou mentiroso patológico

Mitômano (...) é a pessoa manipuladora e autocentrada que inventa histórias continuamente para conseguir o que quer, com pouca consideração ou respeito pelos interesses dos outros. (...) A causa pode ser mecanismo de defesa ou autoafirmação desenvolvido na primeira infância, associada à alguma desordem mental, caso das personalidades narcísicas ou histriônicas.

[Quando mentir é um problema, reportagem da revista "Época", 19/2/09]

Escritores e a mentira

"A mentira é, muita vez, tão involuntária como a transpiração."
(Machado de Assis)

"A principal mentira é aquela que contamos a nós mesmos".
(Nietzsche)

"Somente as mulheres e os médicos sabem o quanto a mentira é benéfica aos homens."
(Anatole France)

"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer."
(Mario Quintana)

"Uma mentira dá uma volta ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir".
(Winston Churchill)

Observações:

Seu texto deve ser escrito em língua portuguesa;
Não deve estar redigido em forma de poema (versos) ou narração;
A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
Não deixe de dar um título a sua redação.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PROPOSTA DE REDAÇÃO: DISSERTAÇÃO


A virgindade é um valor moral a ser preservado?

Tanto a vida sexual precoce de muitos adolescentes quanto a opção pela virgindade são motivo de polêmicas. Nestes tempos de tolerância, ou permissividade, a castidade até o casamento volta a ser valorizada pelos jovens, como era por seus bisavós. Numa inversão de papéis, muitos pais da geração dos anos 1960 consideram seus filhos conservadores. Outros suspiram aliviados, ou porque são religiosos, ou porque têm medo de doenças sexualmente transmissíveis, ou, ainda, porque acham que a virgindade é sinal de juízo. Entre os jovens, há guerras de opinião em blogs e comunidades da internet. E você, o que acha? A virgindade até o casamento é ou não importante para o relacionamento de um casal?

Elabore uma dissertação considerando as ideias a seguir:

Pureza: Jonas Brothers usam anel de virgindade

"Nós prometemos a nós mesmos e a Deus manter a virgindade até o casamento", declarou à imprensa Nick Jonas, integrante da banda americana teen mais famosa do momento. "É legal sermos reconhecidos como bons garotos", diz ele. Os irmãos Jonas são norte-americanos, roqueiros, evangélicos. A originalidade do grupo é a convicção da virgindade masculina, que é simbolizada pelos anéis de pureza nos dedos dos três irmãos. Apesar disso, as fãs, com gritos histéricos, querem beijá-los, abraçá-los ou manter qualquer tipo de contato físico com seus ídolos.

Precocidade e liberdade: mas em casa?

A geração de pais que fez a revolução sexual está confusa [...]. Os adolescentes de hoje são filhos da geração que se casou no final da década de 1970 [quando] estavam em alta o relacionamento liberal, o sexo livre e a contestação à ordem social. É gente que deu liberdade aos filhos, mas não incluiu aí modelo de comportamento sexual. [...]. O mais surpreendente não é a idade em que acontece a iniciação, mas onde: na casa da família.[...]. O garoto dorme com a namorada e tem o apoio explícito dos pais e amigos. A menina [...] não corre o risco de ser espancada porque fez sexo fora do casamento. Ao contrário, para muitos pais é motivo de alívio saber que se trata de um namoradinho conhecido e sadio. Pais tranquilos? Mais honesto é dizer que se resignaram ao mal menor. "A garotada encara a primeira vez como algo inevitável no desenvolvimento de qualquer pessoa", diz a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade, da Universidade de São Paulo.

[Veja On-line]

O tabu da virgindade hoje

A revolução de costumes e valores pela qual o mundo passou ao fim dos anos 1960 retirou o caráter sagrado da virgindade. Mesmo assim, deixar de ser virgem ainda é uma questão íntima e delicada para muitos adolescentes de ambos os sexos. Os jovens, em geral, reconhecem que a virgindade é uma condição que depende apenas da escolha pessoal. A liberdade de costumes permite que eles deem início à vida amorosa no período do namoro. Por outro lado, ainda existem resquícios do velho código moral que convivem lado a lado com os mais recentes modismos.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, de José de Alencar.

Como se sabe, Iracema é a virgem dos lábios de mel e tem os cabelos mais negros que as asas da graúna. A virgindade física de Iracema se sustenta pela sua posição religiosa na tribo, pois ela é a "sacerdotisa de Tupã". Sua extrema paixão pelo português Martim, entretanto, é mais forte que os valores tabajaras, que ela transgredirá: inundada de amor, dá a ele o licor de jurema, na verdade um alucinógeno que lhe permite entregar-se ao amado sem que este tenha consciência da transgressão. Iracema sabe que, depois da entrega, só lhe restará abandonar sua tribo e seus valores...

[Expressões culturais no tempo e no espaço; Márcia Lígia Guidin, Pueri Domus Escolas Associadas, 2000]

Observações:

•Seu texto deve ser escrito em língua portuguesa;
•Não deve estar redigido em forma de poema (versos) ou narração;
•A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
•Não deixe de dar um título a sua redação;

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

PROPOSTA DE REDAÇÃO: DISSERTAÇÃO


TEMA PROPOSTO: A efemeridade/transitoriedade dos fatos, dos valores, das relações e seus efeitos sobre o ser humano dos nossos dias.

Verificamos, hoje em dia, que tudo pode ser acessado de imediato, mas é efêmero / transitório: pode acabar instantaneamente ou ser substituído na mesma velocidade com que foi descoberto, experimentado ou vivido. Podemos, desta forma, chegar à constatação de que estamos envolvidos em relações de superficialidade, em acúmulo de tarefas e imersos numa constante “falta de tempo”. As pessoas sentem-se “perdidas” dentro do caos da modernidade e têm dificuldade para estabelecer relações saudáveis com o que quer que seja: trabalho, família, sua saúde ou nos relacionamentos em geral.
A velocidade com que as mudanças e os fatos acontecem no nosso dia-a-dia gera um forte sentimento de instabilidade e insegurança, nos levando a refletir sobre quão superficiais ou mesmo “descartáveis” tornaram-se também as nossas necessidades no mundo atual. Temos dificuldades em estabelecer valores autênticos, iludidos e influenciados que somos pela chamada “cultura digital” e também pela crescente “homogeneidade”, imposta pela globalização, que nos faz perder de vista heranças culturais e comportamentais, deixadas em segundo plano, provocando uma perda de identidade que, se não for freada a tempo, pode nos causar danos irreversíveis e bastante tristes a longo prazo.
Guiados pela mídia e bombardeados pelas idéias consumistas, começamos a valorizar e a buscar coisas que, na verdade, estão longe de serem realmente importantes para nossas vidas porque passageiras e irrelevantes. Mudamos nossas cabeças, mudamos nosso comportamento e a eterna sensação de “vazio” ainda nos persegue: sem objetivos reais, somos constantemente vitimados pela nossa própria visão distorcida e invertida da realidade.

Você já parou para pensar sobre isso?

Para auxiliar sua reflexão, leia os textos abaixo e, a seguir, norteando-se por eles, produza um texto dissertativo, com cerca de 25/30 linhas, em que você desenvolva o tema proposto de forma clara, coerente e com argumentação bem fundamentada. Não se esqueça de dar um título adequado ao seu texto.

Texto 1

"Nunca a questão do olhar esteve tão no centro do debate da cultura e das sociedades contemporâneas. Um mundo onde tudo é produzido para ser visto, onde tudo se mostra ao olhar, coloca necessariamente o ver como um problema. Aqui não existem mais véus nem mistérios. Vivemos no universo da sobreexposição e da obscenidade, saturado de clichês, onde a banalização e a descartabilidade das coisas e imagens foi levada ao extremo. (...) O indivíduo contemporâneo é, em primeiro lugar, um passageiro metropolitano: em permanente movimento, cada vez mais longe, cada vez mais rápido. (...) A velocidade provoca, para aquele que avança num veículo, um achatamento da paisagem. Quanto mais rápido o movimento, menos profundidade as coisas têm, mais chapadas ficam, como se estivessem contra um muro, contra uma tela. A cidade contemporânea corresponderia a este novo olhar. Os seus prédios e habitantes passariam pelo mesmo processo de superficialização, a paisagem urbana se confundindo com out-doors. O mundo se converte num cenário, os indivíduos em personagens."

PEIXOTO, Nelson Brissac. O olhar do estrangeiro. In: NOVAES, Adauto. (Org.) O Olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1988, p. 361.

Texto 2

“ (...) Parece claro que o mundo está passando por uma reconfiguração. Os efeitos das profundas transformações provocadas pela cultura digital sobre a formação de identidades, as questões éticas e a variação de papéis sociais do indivíduo contemporâneo foram abordados pelas duas principais estrelas do seminário no Rio, os filósofos franceses Jean Baudrillard e Edgar Morin. Baudrillard, autor de ensaios sempre provocativos como A transparência do mal, A ilusão do fim e O crime perfeito, aproveitou para lançar seu novíssimo livro, Tower inferno, que analisa os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Uma curiosidade é que o pensador foi citado/ homenageado no primeiro filme da série Matrix, na cena em que o personagem Neo (Keanu Reeves) esconde seus programas piratas dentro de um exemplar do livro Simulacros e simulações.
Para Baudrillard, a aceleração das mudanças tecnológicas resultou num mundo sem referências, movido por fórmulas vazias, repetições incessantes das formas produzidas quando ainda existiam valores e referências da realidade. É o que ele chama de “simulacros”: a arte se tornou um simulacro da arte, a política um simulacro da política, e assim por diante.”Depois do ‘assassinato do real’, vivemos uma época de extermínio do diferente, do estranho, do ‘outro’” – diz Baudrillard. “Tentamos exorcizar a alteridade radical da morte por meio da terapia, da cirurgia estética, da clonagem, num sistema de identificação total entre todo mundo, de ‘metástase do mesmo’. E todos se transformam em atores do espetáculo total da realidade, como nos atos televisivos imediatos dos reality shows. Cada indivíduo é uma reprodução de um ‘eu genérico’, conectado em rede e em perpétuo feedback comunicacional. É o novo fundamentalismo do circuito integrado: o indivíduo sozinho já se torna massa. A diferenciação entre indivíduo e massa desapareceu”.
Outro aspecto delicado é que os critérios pragmáticos e até mesmo o vocabulário operativo da tecnologia se sobrepõem cada vez mais à reflexão sobre o sentido da vida. A eficácia prevalece sobre os conceitos de justo, certo e bom. O veterano e incansável Edgar Morin, que publica ensaios desde 1951, quando lançou O homem e a morte, e desde então vem participando de todos os debates que afetaram a sociedade européia, da contracultura dos anos 60 à globalização dos anos 90, tocou nesta questão, embora de forma menos pessimista que Baudrillard. Ele vê a digitalização como um produto do espírito humano:
– Hoje, o processo de globalização não é somente objetivo, mas também subjetivo. Objetivamente, percebemos que tudo à nossa volta foi globalizado: comemos frutas brasileiras, usamos roupas chinesas, ouvimos rádios fabricados no Japão. Subjetivamente, cada indivíduo recebe “influxos do eu”, via rede, de todo o planeta. A inserção na rede produz um duplo espectral, um “ego virtual”, que no passado era representado pela alma. O problema é que nos acostumamos a falar de uma só realidade, aquela que apreendemos pelos sentidos, quando, dentro da realidade, existem vários níveis.

TRIGO, Luciano. A realidade existe?. In: Continente Multicultural, edição no 31, jul 2003

quarta-feira, 25 de março de 2009

PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE TEXTO NARRATIVO

Texto-mote:

IRENE NO CÉU

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
_ Licença, meu branco!
E São Pedro, bonachão:
_ Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

(Manuel Bandeira)

Nesse pequeno poema, Manuel Bandeira nos apresenta uma personagem e, muito brevemente, nos dá uma idéia de algumas de suas principais características.
Sua tarefa é a seguinte: escreva um breve texto narrativo, em prosa, contando a vida e a morte de Irene. Lembre-se de caracterizar o cenário e as personagens criadas por você.

quarta-feira, 18 de março de 2009

NARRAÇÃO - PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE TEXTO I


O trecho abaixo foi extraído de uma crônica de Luís Fernando Veríssimo e sugere uma interessante situação narrativa. Leia-o com atenção e, a seguir, faça o que se pede.

“Um dia as duas fizeram um pacto. Se reuniriam dali a 20 anos naquele mesmo lugar. Acontecesse o que acontecesse, nenhuma podia faltar ao encontro. Mesmo que tivesse que vir de longe. Mesmo que estivesse morta! E selaram o pacto não com sangue, mas com chantili na testa, já que estavam numa sorveteria. Para não esquecer. Tinham 15 anos.
Vinte anos depois, uma mulher entrou numa locadora de vídeo e perguntou:
_Aqui não era uma sorveteria?
O funcionário não sabia, o dono disse que, quando comprara, a loja era um depósito. Sorveteria? Só se fosse há muito tempo. A mulher agradeceu e ficou olhando as fitas enquanto esperava. Era melhor que a outra não aparecesse, mesmo. Tinham se separado. Nunca mais tinham se visto. Que tipo de conversa poderiam ter?
_Eu? Não fiz nada! Não me formei, não namorei, não me casei, não viajei, nada. Estou com 35 anos e ainda não tive uma vida.
Já estava quase desistindo e indo embora, convencida de que a outra não apareceria, quando a viu entrar na loja.”

(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Chantili. In: Histórias Brasileiras de Verão. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.)

PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE TEXTO:

Sua tarefa narrativa é desenvolver a história do encontro das duas amigas, passados vinte anos do “pacto” que fizeram na antiga sorveteria. Mantenha o mesmo narrador (onisciente), o mesmo foco narrativo (3a pessoa) e procure desenvolver o seu texto a partir de uma perspectiva compatível com as características da personagem.