quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MANIA DE EXPLICAÇÃO


Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

EXEMPLOS DE TEXTOS JORNALÍSTICOS

Leia, abaixo, os textos de exemplo para cada uma das modalidades jornalísticas:

1) Exemplo de notícia:

Casos graves da nova gripe têm quinta queda consecutiva no país

País lidera em mortes; número chega a 899, diz Ministério da Saúde.
Mortalidade por 100 mil habitantes no Brasil é a quinta maior do mundo.

O balanço quinzenal dos casos da nova gripe, divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Ministério da Saúde, mostra que houve queda pela quinta semana seguida de casos graves causados pelo vírus influenza A(H1N1). Mesmo assim, o Brasil ainda lidera o número total de mortes (899), apesar de a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes ser a quinta maior entre os países (0,46), em um ranking liderado pela Argentina (1,27).
Em 2 de setembro, data do último boletim, haviam sido registradas 657 mortes. De acordo com o ministério, o aumento em relação à última quinzena não se refere a novas mortes no período analisado, mas sim a casos que tiveram confirmação laboratorial entre 30 de agosto e 12 de setembro.
O número de notificações de casos graves entre 6 e 12 de setembro (35 casos) foi 14 vezes menor que o período entre 30 de agosto e 5 de setembro (490) e 65 vezes menor se comparado à semana entre 2 e 8 de agosto (2.283).
Entre o final de abril e começo de setembro, diz o ministério, foram registrados 10.401 casos graves com confirmação laboratorial para algum tipo de gripe – 88,92% deles (9.249) eram do novo vírus.

Gestantes

De acordo com o boletim, 3.521 mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) tiveram resultado positivo para o novo vírus e evoluíram para gravidade. Delas, 856 estavam grávidas e, entre elas, 91 morreram.
Na nota, o Ministério da Saúde também anunciou que vai passar a divulgar mensalmente o boletim sobre os casos da nova gripe. De acordo com o órgão, o motivo é a “queda na circulação do novo vírus e na ocorrência de casos graves.”

2) Exemplo de matéria:

São Paulo: Poluição sonora.

3) Exemplo de entrevista:

Cientista acredita que a vida na Terra tem seus dias contados.

4) Exemplo de crônica:

Luís Fernando Veríssimo.

ATIVIDADE:

Após ler cada um dos exemplos linkados acima, descreva brevemente o ASSUNTO de cada um deles. Faça isso numa FOLHA AVULSA com o nome de todos os integrantes da sua equipe. Uma folha por grupo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

CONSTRUÇÃO BÁSICA DE UM TEXTO JORNALÍSTICO


Diferentemente das técnicas empregadas em textos literários, nas quais escritores dedicam-se de corpo e alma a criar um ambiente de tensão até chegar ao ápice no final da história, com uma informação bombástica, os textos jornalísticos buscam exatamente o contrário: apresentar o cume do fato logo nas primeiras linhas.
Isso quer dizer que jornalistas, ao produzirem matérias, descrevem informações em ordem decrescente de importância, de modo que as principais estejam disponíveis logo nas primeiras linhas. Dessa maneira, na abertura do texto estão os fatos mais interessantes, enquanto que os de menor relevância surgem seqüencialmente e são complementos das informações principais.
Para elucidar melhor, basta se recordar das aulas de Geometria e trazer à mente uma pirâmide. Como sabemos, a base é a parte mais importante dela por oferecer sustentação ao restante. Nessa perspectiva, desenvolveu-se no texto jornalístico uma espécie de pirâmide invertida, na qual aquilo que é noticiosamente mais importante surge no topo. Essa técnica contribui significativamente com muitos leitores, sem tempo disponível ou paciência para uma leitura mais regular, pois basta ler o primeiro parágrafo para ter uma visão geral do que se trata a matéria.
Para reforçar o conceito, esse primeiro parágrafo é chamado de lead (expressão inglesa que significa “guia”, “condutor” ou “o que vem à frente”. Existe aqui no Brasil o termo aportuguesado lide), que é a base da pirâmide invertida, ou seja, a primeira parte de uma notícia que fornece ao leitor informações básicas acerca do tema proposto.
Nas teorias jornalísticas, ele é composto de seis perguntas que devem ser respondidas: "o quê?", "Quem?", "Quando?", "Onde?", "Como?" e "Por quê?". Ao responder parcial ou totalmente a essas questões, o texto jornalístico evidencia o fato noticiado e as principais circunstâncias em que ele ocorre. Um exemplo simplista de lead:
“(Quem?) João (o quê?) assassinou Maria (como?) a facadas, (quando?) ontem à noite, (onde?) em Taguatinga, (por quê?) porque ela não aceitou o convite de passear pelo shopping.
Vale lembrar que o lead tem como características essenciais objetividade, exatidão, coerência e linguagem clara e simples, mas isso não significa que deve ser engessado ou pouco chamativo (como o exemplo acima). Quanto mais criativo ele for, melhor, uma vez que, apesar de que o objetivo inicial de informar será alcançado após a leitura dele, a intenção é fazer com que o leitor continue com os olhos grudados no restante da matéria. Entretanto, isso depende de vários fatores como, por exemplo, interesse pelo tema, tempo disponível, etc.
Para finalizar, o lead em reportagens (que trazem gama maior de informações aprofundadas devido ao tempo mais dilatado) de jornais ou revistas não precisa responder imediatamente às seis perguntas. Normalmente, nesse caso, o principal objetivo é oferecer uma prévia do assunto a ser abordado.

O TEXTO JORNALÍSTICO


A função do jornal é basicamente a comunicação. É um dos meios mais rápidos de ficarmos informados a respeito do que acontece no mundo. Dentro do jornal há várias seções, que por sua vez, abrigam vários tipos de texto. Há algumas características que são comuns a todos estes textos, enquanto há outras que servem para individualizá-los.
A nomenclatura dos textos normalmente é dada de acordo com as suas características e seus objetivos específicos de comunicação. Genericamente chamamos os textos que se apresentam nos jornais de “matéria”. Normalmente esses textos têm caráter informativo. As informações são apresentadas em ordem decrescente de importância ou relevância, seguindo, assim, uma técnica chamada de pirâmide invertida. Ou seja, a base do texto (conteúdo mais importante) fica em cima e o ápice (conteúdo mais superficial) embaixo.
O primeiro parágrafo do texto é chamado de “lide” ou “lead” (inglês) e carrega o conteúdo mais denso da matéria, as principais informações. Esse recurso é usado para que as pessoas possam ter acesso fácil e rápido à informação e tenham a oportunidade de selecionar as matérias que realmente lhes interessam para prosseguir com a leitura. Geralmente o título da matéria é baseado no lide.
Vejamos alguns dos mais característicos tipos de textos jornalísticos e suas principais características:

Notícia: Caracteriza-se pela linguagem direta e formal. Tem caráter informativo e é escrito de forma impessoal, frequentemente fazendo uso da terceira pessoa. Inicia-se com o lide e se segue com o corpo da notícia. Enquanto na primeira parte estão registradas as principais informações do fato, no corpo do texto estão presentes os detalhes (relevantes ou não), as causas e as consequências dos fatos, como, onde e com quem aconteceu, e a sua possível repercussão na vida das pessoas que estão lendo. Pode ter ou não um público alvo (jovens, políticos, idosos, famílias), caso tenha a linguagem poderá ser adaptada para o melhor entendimento.

Editorial: Não é exatamente um tipo de texto, mas uma seção do jornal que possui textos selecionados e agrupados através de seu conteúdo, público ou objetivo. Os jornais são divididos em vários editoriais que podem ou não estar encadernados separadamente. Entre os editoriais mais comuns estão: Política, Economia, Cultura, Esporte, Turismo, País, Cidade, Classificados, Coluna Social, etc.

Reportagem: Tem por essência a descrição e caracterização de eventos. Para isso, a reportagem conta com algumas perguntas que, ao serem respondidas, formarão a estrutura da reportagem. Em Inglês chamamos as perguntas a seguir de WH Questions, e elas servem para melhor estruturar a reportagem: O quê?, Como?, Quando?, Onde?, Porquê?, Quem?.
Nota: Texto curto composto apenas pelo lide. Normalmente trata de algum assunto de fácil compreensão e assimilação e que seja do interesse do leitor. Algo que já tenha sido noticiado ou que não possui detalhes relevantes para serem descritos.

Além desses, há outros cuja estrutura é mais complexa e a ocorrência vai além-jornal, como a crônica, o artigo, etc.

Normalmente, o processo de produção de um texto jornalístico se divide em quatro fases: a pauta (escolha do assunto), a apuração (verificação dos fatos e de provas), a redação (organização das idéias transformando-as em texto) e a edição (locação desses textos no jornal, correção e revisão dos mesmos).

RESPONDA AS SEGUINTES PERGUNTAS:

1) Qual é a função do jornal?

2) Genericamente, como se chamam os diferentes tipos de texto que fazem parte de um jornal?

3) Como são dispostas as informações numa matéria de jornal?

4) O que é "lead"? Para que esse recurso é empregado?

5) O que são os editoriais?

6) Quais são as perguntas que norteiam o trabalho do jornalista que vá escrever uma reportagem? Por que essas perguntas são importantes nesse processo?

7) Nomeie e explique as fases de produção de um texto jornalístico.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

EXERCÍCIO: TEXTO DESCRITIVO

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Escolha uma das imagens abaixo e componha um texto descritivo a partir dele. Você pode optar por uma descrição objetiva (aquela que se detém aos detalhes observados e somente a eles, sem nenhum espaço para sua opinião pessoal) ou uma descrição subjetiva (aquela em que, além de explicitar detalhes observados, você tem também espaço para manifestar suas impressões pessoais sobre a cena descrita).








quarta-feira, 12 de agosto de 2009

PROPOSTA DE REDAÇÃO: DISSERTAÇÃO

Combate ao fumo: autoritarismo ou dever do governo?

Foi aprovada, no dia 7 de maio de 2009, pelo governador de São Paulo, uma lei antifumo válida para todo o Estado. A partir de 7 de agosto, está proibido fumar cigarros, cachimbos ou charutos em todos os lugares públicos fechados ou semifechados. Só será possível fumar no próprio carro, dentro de casa ou no meio da rua, desde que não haja tetos, toldos, ou guarda-sóis. Essa lei, aplaudida por muitas entidades e autoridades ligadas à saúde, é também criticada com violência por pessoas que a consideram radical e autoritária, pois tiraria do cidadão boa parte de sua liberdade, que passa a ser vigiada, e o livre-arbítrio para fumar ou não. Como você se posiciona diante dessa questão?

Elabore uma dissertação considerando as ideias a seguir:

Sou a favor do tabagismo

Na verdade, sou a favor do direito ao tabagismo. [...]; claro que os não fumantes têm direito de não respirar a fumaça alheia e manter seus pulmões limpinhos e suas roupas cheirosas[...]. Onde vamos fumar nosso cigarrinho em paz? [...] Fumantes são tratados como anomalias: seres imundos e fedorentos que devem ficar lá fora, longe [...]. Nada de errado em avisar que o fumo faz mal, [...] . Mas tentar proibir as pessoas de fazer o que elas bem entendem é terrível. Dá licença se eu quiser morrer?

[Clarah Averbuch, escritora. Revista da Folha. 17 de maior de 2009]

Fumaça do cigarro: ignorância ou má-fé

Volto à proibição do fumo em ambientes fechados. Incrível como esse tema ainda gera discussões acaloradas. Como é possível considerar a proibição de fumar nos lugares em que outras pessoas respiram uma afronta à liberdade individual? As evidências científicas de que o fumante passivo também fuma são tantas e tão contundentes que os defensores do direito de encher de fumaça restaurantes e demais espaços públicos só podem fazê-lo por duas razões: ignorância ou interesse financeiro. [...] Depois de uma manhã de trabalho num escritório em que várias pessoas fumam, a concentração de nicotina no sangue de um abstêmio pode atingir os níveis de quem tivesse fumado três a cinco cigarros. Empregados de bares e restaurantes que passam seis horas em ambientes carregados de fumaça, chegam a ter concentrações sanguíneas de nicotina equivalentes a de quem fumou cinco ou mais cigarros. [...]

[Drauzio Varella, médico. Folha de S. Paulo, 25 de abril de 2009]

Pobre Cigarro!

Dezoito deputados votaram contra e 69 a favor do projeto.


Fumar ou não fumar eis a questão

O ponto é simples: por que não permitir que um dono de bar ou restaurante coloque uma placa na frente de seu estabelecimento dizendo: "aqui é permitido fumar", ou "fumantes são bem-vindos". Logo, sabendo disso, não só os fumantes, mas seus amigos não-fumantes ou simplesmente aqueles que não trocam a vida pela saúde poderão entrar. [...] Enfim, algo bem singelo que atende pelo nome de liberdade individual. Ah, os coletivistas dirão: mas e a proteção aos funcionários do bar? [...] E o garçom que não fuma? Ele será coagido a aspirar a fumaça dos clientes. Ora, ora. Ninguém é coagido a trabalhar num bar que aceita fumantes. Na verdade, que eu saiba ninguém é coagido a trabalhar em lugar nenhum.

[Aguinaldo Pavão. Jornal de Londrina, 15 de abril de 2009]


Observações:

•Seu texto deve ser escrito no padrão culto da língua portuguesa;
•Não deve estar redigido em forma de poema (versos) ou narração;
•A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
•Não deixe de dar um título a sua redação.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

CLASSICISMO EM PORTUGAL

RENASCIMENTO

A sociedade se liberta do domínio da igreja e o homem se torna o centro do mundo.Antropocentrismo oposto ao teocentrismo medieval, a valorização da razão, pelo culto da antiguidade clássica e pelo humanismo.
O RENASCIMENTO valoriza a faculdade de conhecimento e a soberania do raciocínio, capazes de conduzir o homem a grandes proesas, como as que canta Camões (1524-1580).
O renascimento imita a Antiguidade Clássica Greco-latina porque havias a concepção de que os gregos e romanos haviam atingido a mais alta realização artística.
O humanismo, característica do Renascimento, é o interesse pelo homem e a primazia a ele conferida. O sentimento religioso não desaparece, mas passa a ser secundário.
O homem passa a ser valorizado pela sua capacidade de conhecimento, pela sua possibilidade de voltar-se às coisas do mundo e domina-las pelo saber.

CARACTERISTICAS DO PERÍODO:

* ANTOPOCENTRISMO;
* valorização da razão;
* culto dos valores da Antiguidade clássica;
* Humanismo;
* CIENTIFICISMO – preocupação com a ciência, metodização da natureza, registro dos dados da experiência;
* ELITISMO – arte produzida por e para uma elite antipopular;
* AUTONOMIA DA ARTE – independência da Igreja, valorização da forma sobre o tema, surgimento a noção de autor;

CONTEXTO HISTORICO – PORTUGAL

O Classicismo português desenvolveu-se durante o século XVI. É, portanto, o movimento literário de intensa transformação social e cultural representada pelo Renascimento. Caracterizado por intensa produção literária, desenvolvimento da poesia, tanto lírica como épica. A prosa também apresenta muitos textos, narrativas de ficção e histográficas e principalmente a “literatura de viagens”, ligada aos descobrimentos marítimos
A consciência o homem como ser universal e também a consciência de nação.
As grandes descobertas e a euforia da riqueza e do luxo são suplantadas pelo desencanto do desmoronamento na Europa. O primeiro momento do Renascimento é de euforia e o segundo é de desencanto, decadência.

CAMÕES

Luís Vaz de Camões presume-se tenha nascido em Lisboa por volta de 1524, de uma família do Norte (Chaves). Viveu algum tempo em Coimbra onde, segundo consta, freqüentou aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. Regressou a Lisboa, levando aí uma vida de boemia. Em 1553, depois de ter sido preso devido a uma briga, parte para a Índia. Fixou-se na cidade de Goa onde escreveu, de acordo com seus estudiosos, grande parte da sua obra. Regressa a Portugal em 1569, pobre e doente, conseguindo publicar Os Lusíadas em 1572 graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Sebastião. Faleceu em Lisboa no dia 10 de junho de 1580. É considerado o maior poeta português, situando-se a sua obra entre o Classicismo e o Maneirismo. Obras: "Os Lusíadas" (1572), "Rimas" (1595), "El-Rei Seleuco" (1587), "Auto de Filodemo" (1587) e "Anfitriões" (1587).

Soneto

(Luís de Camões)

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piedoso;
Quem o contrário diz não seja crido:
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens e inda aos deuses odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

OS LUSÍADAS

O renascimento literário atingiu seu ápice em Portugal, durante o período conhecido como Classicismo, entre 1527 e 1580. O marco de seu início é o retorno a Portugal do poeta Sá de Miranda, que passara anos estudando na Itália, de onde traz as inovações dos poetas do Renascimento italiano, como o verso decassílabo e as posturas amorosas do Doce stil nouvo. Mas foi Luís de Camões, cuja vida se estende exatamente durante este período, quem aperfeiçoou, na Língua Portuguesa, as novas técnicas poéticas, criando poemas líricos que rivalizam em perfeição formal com os de Petrarca e um poema épico, Os Lusíadas, que, à imitação de Homero e Virgílio, traduz em verso toda a história do povo português e suas grandes conquistas, tomando, como motivo central, a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama em 1497/99. Para cantar a história do povo português, em Os Lusíadas, Camões foi buscar na antiguidade clássica a forma adequada: o poema épico, gênero poético narrativo e grandiloqüente, desenvolvido pelos poetas da antiguidade para cantar a história de todo um povo. A Ilíada e a Odisseia, atribuídas a Homero (Século VIII a. C), através da narração de episódios da Guerra de Troia, contam as lendas e a história heroica do povo grego. Já a Eneida, de Virgílio (71 a 19 a.C.), através das aventuras do herói Enéas, apresenta a história da fundação de Roma e as origens do povo romano.
Ao compor o maior monumento poético da Língua Portuguesa, Os Lusíadas, publicado em 1572, Camões copia a estrutura narrativa da Odisseia de Homero, assim como versos da Eneida de Virgílio. Utiliza a estrofação em Oitava Rima, inventada pelo italiano Ariosto, que consiste em estrofes de oito versos, rimadas sempre da mesma forma: abababcc. A epopeia se compõe de 1102 dessas estrofes, ou 8816 versos, todos decassílabos, divididos em 10 cantos.

DIVISÃO DA OBRA:

O poema se organiza tradicionalmente em cinco partes:

1. Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3) Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadores portugueses, em especial os da esquadra de Vasco da Gama e a história do povo português.
2. Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5) O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irão inspirá-lo na composição da obra.
3. Dedicatória (Canto I, Estrofes 6 a 18) O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança de propagação da fé católica e continuação das grandes conquistas portuguesas por todo o mundo.
4. Narração (Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144) A matéria do poema em si. A viagem de Vasco da Gama e as glórias da história heróica portuguesa.
5. Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156) Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua "voz rouca" não ser ouvida com mais atenção.

NARRAÇÃO

A narração consiste, portanto, na maior parte do poema. Inicia-se "In Media Res", ou seja, em plena ação. Vasco da Gama e sua frota se dirigem para o Cabo da Boa Esperança, com o intuito de alcançarem a Índia pelo mar. Auxiliados pelos deuses Vênus e Marte e perseguidos por Baco e Netuno, os heróis lusitanos passam por diversas aventuras, sempre comprovando seu valor e fazendo prevalecer sua fé cristã. Ao pararem em Melinde, ao atingirem Calicute, ou mesmo durante a viagem, os portugueses vão contando a história dos feitos heróicos de seu povo. Completada a viagem, são recompensados por Vênus com um momento de descanso e prazer na Ilha dos Amores, verdadeiro paraíso natural que em muito lembra a imagem que então se fazia do recém descoberto Brasil.

ESTRUTURA NARRATIVA

O poema se estrutura através de uma narrativa principal, que apresenta a viagem da armada de Vasco da Gama. A esse fio narrativo condutor é incorporada inicialmente a narração feita por Vasco da Gama ao rei de Melinde, em que conta a história de Portugal até a sua própria viagem. Na voz do Gama, ouvem-se os feitos dos heróis portugueses anteriores a ele, como Dom Nuno Álvares Pereira, o caso de amor trágico de Inês de Castro, o relato de sua própria partida, com o irado e premonitório discurso do Velho do Restelo e o episódio do Gigante Adamastor, representação mítica do Cabo da Boa Esperança. Em seguida são acrescentadas as narrativas feitas aos seus companheiros pelo marinheiro Veloso, que relata o episódio dos Doze da Inglaterra. Por fim, já na Índia, Paulo da Gama, irmão de Vasco, conta ainda outros feitos heróicos portugueses ao Catual de Calicute. A estrutura narrativa do poema é composta, portanto, por três narrativas remetendo à história de Portugal, interligadas pela narração da viagem de Vasco da Gama.

ECLETISMO RELIGIOSO

O poema apresenta um ecletismo religioso bastante curioso. Mescla a mitologia greco-romana a um catolicismo fervoroso. Protegidos pelos deuses, os portugueses procuram impor aos infiéis mouros sua fé cristã. O português é visto por Camões como representante de toda a cultura ocidental, batendo-se contra o inimigo oriental, o árabe não-cristão. Todo esse fervor religioso não impede a utilização pelo poeta do erotismo de cunho pagão, como no episódio da Ilha dos Amores e seus defensores lusitanos são protegidos, ao longo de todo o poema, por uma deusa pagã, Vênus. É curioso notar que a imagem clássica do deus romano Baco (o Dioniso dos gregos), amigo do vinho e do desregramento, inimigo maior dos portugueses, é a de um ser de chifres e rabo. A mesma que foi utilizada pela igreja católica para representar o demônio.

EPISÓDIOS PRINCIPAIS

Diversos são os episódios célebres de Os Lusíadas que merecem um olhar mais atento. Um deles é o da Ilha dos Amores, (Canto IX, estrofes 68 a 95) em que a "Máquina do Mundo", com suas inúmeras profecias, é apresentada aos portugueses. Nessa passagem do final do poema o plano mítico - dos deuses - e o histórico - dos homens - encontram-se: os portugueses são elevados simbolicamente à condição de deuses, pois só aos últimos é permitido contemplar a "Máquina do Mundo". Foi o episódio da Ilha dos Amores que inspirou o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade a compor seu poema "A Máquina do Mundo". Outro é o do Gigante Adamastor, (Canto V, estrofes 37 a 60), representação figurada do Cabo da Boa Esperança, que simboliza os perigos e tormentas enfrentados pelos navegadores lusitanos no caminho da Índia. Adamastor é o próprio Cabo, que foi transformado em rocha pelo deus Peleu, como vingança por ter seduzido sua esposa, a ninfa Tétis. Esse episódio foi recriado por Fernando Pessoa (1888-1935) no poema "O Mostrengo" do livro Mensagem (1934).