sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

MANIA DE EXPLICAÇÃO

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que as palavras.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá explicando sozinha.

Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro da sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero...Também não. É um desaforo... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.

(Adriana Falcão)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

EPIFANIAS MÚLTIPLAS


Segundo dicionários online consultados, temos para o vocábulo "epifania" a seguinte definição:

"Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém 'encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeça e, agora, consegue ver a imagem completa do problema'. O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminador nos acontece."

Em realidade, podemos sintetisar dizendo o seguinte: Epifania é aquele momento em que a 'chave do Universo' é posta em nossas mãos e, quase magicamente, somos capazes de compreender em plenitude aquilo que antes se nos apresentava como uma grande incógnita!
Quem vive uma epifania é capaz de compreender melhor inclusive a SI MESMO e isso é das sensações mais gratificantes e engrandecedoras que podemos experimentar!
A leitura nos abre portas fantásticas de conhecimento: ela nos possibilita o contato com outras culturas, outras visões de mundo, outros delírios e outras fantasias. Não bastasse isso tudo, a leitura nos proporciona, de maneira contundente e definitiva, a DESCOBERTA DE NÓS MESMOS através do olhar e da sensibilidade do outro que, no ato de ler, tomamos como uma espécie de "espelho" capaz de nos apontar mazelas e aleluias que nunca imaginamos existir - ó, mistério e maravilha! - escondidos ou adormecidos dentro de cada um de nós.
Ter uma epifania é preencher a vida daquilo que lhe é mais caro: SIGNIFICADO e PROVEITO.
Epifanias múltiplas a todos nós, pois.
Abraço a todos.
Sejam muito bem-vindos ao blogue!

Daniel